Janeiro 09, 2007

Pérolas da Ida...

A mãe questiona a filha sobre a rodovia...
- Filha! Que rua mais esburacada! A filha retruca:
- Mãe! Isso é uma rodovia! Rodovia! A mãe replica:
- Mais eles não têm que recauchutar? A filha injuriada, responde:
- Mãe! É recapiar! É recapiar! A mãe não deixa por menos:
- Filha! Se você não fosse burra, com certeza, entenderia o que eu falei.

Como dizem:
- Pra um bom entendedor, meia palavra basta. rs

Janeiro 08, 2007

Clara e a crise dos sexos em: "Uma pausa para o Reveillon"

E o reveillon Maria Clara, e o reveillon?

Janeiro, 7 de, 2007. Não é pra menos que o telefone está em pausa, daqui a umas horas, recomeça; -ô Maria Clara, eu preciso disso. -Maria Clara, o relatório daquilo. -Maria Clara leu a manchete? Buchucas e patavina! Raios e trovoadas...

-Está ocioso isso aqui. Será que dá pra ser mais rápido com o banho Alceu?
João Alceu, irmão consangüíneo de Maria Clara, a magnífica. As vésperas de um reveillon mal fadado, o irmão carcará de penas pretas, em vôo rasante, resolveu se alojar sobre a proteção da irmã mais velha. Generalista e oportunista, como um bom carcará, nem explicou direito o sucedido e por horas se fez a ocupar o 2º lugar necessário da vida da “nossa” protagonista, o “Living Room da Latrina”, vulgo banheiro.
-Ô Alceu, isso tudo é água escorrendo? Está me ouvindo? Alceu, você está chorando? Será que dá pra alguém me responder?
Sim. Alceu, João, Alceu! Não continha as lagrimas e os soluços e repete entre uma frase e outra, e todas desconexas, o famoso “porquê”.
-Porque? Meu deus! Porquê? Porque essa Marina, fez da flor de laranjeira, só quem viu...
-Alceu! A musica da Ivete não é bem essa, é, você confundiu! Eu não estou conseguindo acompanhar. Ah! Quer que eu ligue pra Marina pra avisar que você vai pra casa depois de desocupar meu banheiro?
A porta abre-se e nu, Alceu despenca a chorar...
-A Marina não presta! A Marina não vale a comida que ponho a mesa! Ela me traiu com a encomenda, com o peru! Alias, com o “peru”, dono da padaria. Ai! Eu não mereço! Anos de dedicação! Anos de ouvir as mesmas reclamações: -Meu cabelo, está amassado, quero uma chapinha nova Alceu... ou, -Alceu, sai desse sofá... ou, -não aperta a pasta de dente ao meio...
-Ai, Clarinha! Cansei! Eu que fui um tolo. Eu idolatrava aquela mulher! Eu adorava cheirar os vãos dos dedos do pé! Aqueles pezinhos, tão perfeitos!
-Écati! Alceu!
-Não interrompa! Você não sabe a dor que estou sentindo...

Tudo perfeito para a tão esperada véspera do ano novo. Época em que as famílias se reúnem em volta da mesa, para se confraternizarem. Época de mandar bilhetinhos anônimos, com a caligrafia que sempre a entregava. Época de soltar rojões, chacoalhar o champanhe e acordar seminu no apartamento do vizinho carente. É. Bons tempos... foram-se.

-Ta! Mais Alceu! Assim, não podemos ficar! O melhor a fazer é falar com a Marina.
-Ta maluca, hermana? Eu, não falo com aquela traíra nunca mais. O celular vai permanecer desligado e se ela ligar pra cá, eu não estou e fim de papo. Ou você está esperando por alguém?
- Ei, Alceu! Calma! Não é assim que anos de convivência vão junto com o recheio do peru! Opa! Desculpa a forma coloquial. E eu estou a esperar... um certo alguém.


Horas depois, próximo das 23h, toca o telefone...

-Era a Marina, Alceu! Ela está preocupada com você! Vou dizer que você está aqui.
-Não faça isso. Está querendo acabar com a nossa relação?
-Ô, Alceu! Deixa de ser infantil! Essa frase não cola desde a época do colégio. E sim, Marina! Ele está aqui, louco de saudades, querendo falar com você. Acho melhor você vir pra cá, ou melhor, tenho certeza! Vocês têm muito que conversar...

Poucas horas depois...

-Bem, vou me retirar. Vou usar o banheiro que meu irmãozinho querido fez questão de ocupar por horas! Vocês fiquem a vontade! Só tenham cuidado com o vaso da bisavó. Brincadeira! É, eu fico assim, mais engraçada nessas épocas do ano.


-Poxa! O que leva um casal discutir a relação por conta de um peru? Bem, na véspera? E eu? Eu que não tenho nenhum peru pra discutir! Caramba! Será que o vizinho do oito está disponível? É. Acho que não. Não o vi pela manha e esta ausente por uns dias. Com certeza, deve ter se arrumado. E meus amigos? Eles sempre estão por aí. Dessa vez, teve que ser diferente. Todos foram com suas respectivas famílias e me deixaram aqui. Abandonaram-me aqui! Largada as traças, eu fui. Papai e mamãe, sem comentários. É o primeiro ano, que estão a gozar de férias familiares. Estão super certos. E eu? Poxa! E eu? Será que vai rolar um peru? Tomara!

40 minutes later...

-Marina? Alceu? Vocês estão aí......?
-Ah! Vocês estão ai! É, pelo menos o vaso continua inteiro. Gostei da sua calcinha Marina! Me passa o nome da loja. Bom gosto, menina!
-Ai! Que vergonha! Nos desculpem, Clara.
-Não se incomodem! Há tempos que eu não uso o tapete da sala. Não uso pra nada mesmo. E o tapete está aí, pegando pó. Sendo pisado, apenas isso. Será que meu sobrinho nasce em outubro?
-Clara!
-Tá gente! Eu falei que eu fico um tanto espirituosa...
-Mais Clara! Já está próximo da meia-noite. O peru (a ave), está lá em casa esperando pra ser destrinchada! Venha conosco! E eu te passo o numero do fornecedor de calcinhas...
-Sabe o que é? É que a minha irmãzinha querida está esperando por companhia!
-É. Eu estava. Alias, não. Não estava. Quer saber? Vou com vocês. E quero saber tim-tim, por tim-tim, como é que se destrincha o peru...



...E assim, foi-se, o Reveillon de Clara Maria!

-Maria Clara! Maria Clara!

Oh, claro! rs

Dezembro 02, 2006

Certa vez um homem procurou a felicidade. Ele foi batendo de porta em porta. As meretrizes o recebiam com sorrisos e o hospedavam. O homem comia e engordava e no outro dia, embora ia, sempre batendo de porta em porta. Um dia, as portas não se abriram mais. Esse homem infeliz, continuou infeliz e demorou a perceber que a felicidade era permanente em si e não pela jornada. A jornada o trouxe certas experiências e o tornou dependente de certa forma.

Livre, o homem se torna feliz com consciência plena.


. Idamiz Tassi .

Novembro 15, 2006

Foi bom pra você, amor?

Eis aí um texto inteligentíssimo, sobre certas "Proezas Humanas".
Acredita mesmo em Proezas? Digo, a grande estupidez humana. Melhor dizendo:
- Um pouco do HOMEM estúpido. (Sútil, não?)
Identifique-se e seja feliz. Porque sempre vai existir uma tola a passar por isso.
E o Beijo na boca?



FOI BOM PRA VOCÊ?

“Isso lá é pergunta que se faça? Se o autocentrado não percebeu que fazia sexo praticamente sozinho, usando a minha companhia apenas como testemunha de como um homem maduro e aparentemente experiente pode ser tão ruim de cama, isso é problema dele!”Foi assim, soltando as cachorras, que Marilena chegou para almoçar com Claudinha.
“O meu problema foi ter investido tempo, grana e tesão nessa bobagem que tem a presunção de chamar de sexo. E pensar que depilei tudo, hidratei tudo e fiz de tudo, pra nada! Você acredita que estou com três cheques pré-datados na praça, gastos em lingerie que ele nem notou? Tirou, jogou num canto e não viu nem a cor”, continuava.
“Séculos de dominação sexual deram nisso. Eles não sacam absolutamente nada de mulher, e ficam aí posando de lindos. Existe algo menos erótico do que sentar na cama e explicar pedagogicamente: esta é uma vagina. Aqui fica o clitóris. Clitóris não é uma campainha que tem que ser apertada, esmigalhada por mãos ansiosas e impacientes! Muito pelo contrário. Não sabia que apressado come cru?”
O garçom chegou com uma caipirinha enquanto Marilena, exaltada, ia adiante.”Você acredita que, entre abrir a porta do quarto do motel e acender o cigarro para relaxar, levou 11 minutos? 11 minutos!”, berrava, assustando o garçom que trazia os ovinhos de codorna para acompanhar a caipirinha de lima-da-pérsia. “Onde já se viu uma coisa dessas? O que se pode fazer em 11 minutos?”
Claudinha, querendo acalmar o ânimo da amiga, sugeriu timidamente: “Um beijo na boca?”. “Que beijo na boca? E ele lá teve tempo para isso! Parecia que aquela ereção era um sorvete que ia derreter se não fosse imediatamente acomodado no freezer. Sim, porque quando senti a velocidade estonteante dos acontecimentos virei uma geladeira sem pingüim para enfeitar! Um desperdício! Aquele Apolo cheio de músculo e pose e, na hora do vamos ver, cadê? Era só fachada!”
Deu um gole enorme na caipirinha sob o olhar cada vez mais atento do garçom, que trazia um prato de ostras frescas, e continuou. “Mas agora enchi! Enchi de ficar tratando esses marmanjos a pão-de-ló.
Já simulei muito orgasmo. Já fiz muito papel de psicóloga, amiga e amante compreensiva.
Não vou mais fazer! Vão Ter que encarar a sinceridade cruel de Marilena, a franca.
Esses caras têm que ter vergonha na cara e pensar um pouquinho que seja no outro, quero dizer na outra, na parceira! Chega de hipocrisia! Queremos preliminares! Sexo inclui pele, língua, dedo, mão, coxa, perna, braço! Os carinhas acham que basta o desempenho do seu fabuloso” troféu “. Se fosse só isso, era moleza. Qualquer sex shop vende de todos os tamanhos e formatos. E aí não precisava seduzir, sair para jantar e ficar linda jogando conversa fora. Era” pá, pum e foi“.
Sabe de uma coisa? Vou fazer um site e colocar a ficha deles na Internet!”.
Claudinha, a rainha da cultura inútil, comenta: “Sabia que eu li numa revista que 90% dos homens não sabem dar prazer para as mulheres?” Marilena já meio alta, vocifera: “Eu estou pouco me lixando para eles, quero saber onde estão os 10% que sabem!”.
Nesse momento o garçom entrega a conta para Marilena junto com um torpedo, onde está escrito: - “Eu conheço um”. Ela olha pela primeira vez para o rapaz que estava servindo a mesa e se encanta com o sorriso safado de quem sabe o que diz.
Dali para o primeiro encontro foi um passo. Ele não estava mentindo, Adalberto era um show de bola. Não só estava incluído nos 10% que entendem do riscado, com encabeçava a seletíssima lista de homens que adoram mulheres.
Foi com louvor que a exigentíssima Marilena deu nota 11 para ele. Mas dessa vez não abriu o bico com a amiga Claudinha. Imbuída do mais puro e salutar egoísmo, resolveu guardar para si os atributos do rapaz. Vai que esse sucesso cai na boca do povo e inventam de fazer um calendário com os garçons da cidade. Se colocam Adalberto na capa, pronto! Lá se vai a sua galinha dos ovos de ouro.

Agosto 19, 2006

Clara e a crise dos sexos IV.

Já na estrada.

- Ai ! Amiga ! Eu não acredito que estamos indo ao litoral ! É tudo tão efêmero ! Até a pouco tempo atrás, estávamos nós no meu Apart Hotel ! Chique esse termo, né não? Aninha? Aninha? Aninhaaaaaaaaaaa !!!
- Ai ! Que saco ! O que foi dessa vez Clara Maria?
- É, Maria Clara ! Já falei ! Aonde já se viu cochilar ao volante? Só você mesma pra me dar um susto desses.
- Clara Maria ! Você viu o tamanho da fila de carros? Por acaso você pensa que estamos na Marquês de Sapucaí, esperando a Mangueira entrar? Ou então, numa ponte aérea, esperando o vôo das 23h, com escala pra Miami? Acorda mulher ! Alias, mantenha-se acordada e me deixa cochilar mais um pouco. Pelo visto, não chegaremos tão cedo ao litoral. Péssima hora pra um congestionamento.
- Aninha, amiga ! Chegaremos cedo sim ! Já passam das 2h da manhã ! Amanhã cedo estaremos lá ! E pode abrir esses olhos, porque a fila começou a andar...


O caos. Porque será que a maioria dos paulistanos resolve descer a serra num mesmo final de semana? Já não bastava enfrentar o transito da caótica cidade durante a semana e mesmo assim, tê-lo que enfrentar no final da mesma? Não. Não é o suficiente para essa “gente da garoa”. Faz-se de tudo para curtir o momento família (o pai, a mãe, o irmão caçula, o do meio, o mais velho, a avó, o cachorro, o gato e o papagaio), mesmo que esse momento seja repleto de imprevistos. Fico eu aqui a imaginar... Um veículo normal comporta 5 passageiros. No caso da família citada, além de um passageiro a mais, havia um gato, o cão e o papagaio, num total de 9 passageiros. Eu me pergunto: - Seria ele, o pai de família molestado psicologicamente? A resposta é sim. O pai de família, é um cidadão cheio de responsabilidades. É o cara que acorda cedo, leva o filho caçula e o do meio pra escola, e a sogra pra uma consulta medica. Deixa a véia no consultório (porque antes do meio dia, ela não seria atendida pelo SUS), vai para o escritório, trabalha, camela e retorna pra casa almoçar. Antes, refaz o caminho, recolhe a sogra (que ainda não foi atendida e com muito esforço consegue tirá-la daquele lugar, expressando a sua preocupação com ela, que está a horas sem comer nada), refaz o caminho da escola e ainda por cima perde um tempo pra ouvir as reclamações da diretora sobre o filho caçula. Consegue chegar em casa. Senta pra ver o jornal da tv, enquanto a amada esposa prepara a mesa da refeição. Só que quem disse que ele consegue assistir a tv? É o filho caçula brigando com o do meio, um vendedor a porta a bater, o radio ensurdecedor da vizinha ao lado, o filho mais velho que está a horas no banheiro, o cão correndo atrás do gato, o papagaio irritado que grita ao barulho da campainha e ninguém a atender, e com tudo, o pai de família atende a porta e ao voltar se depara com a sogra sentada em sua poltrona monopolizando o controle remoto.
Após o almoço, o pai de família, leva o outro filho a escola e deixa a sogra no SUS (era a senha de numero 85 que estava sendo atendida, a da véia era de numero 130), e vai para o seu trabalho, o escritório na Lapa. Sai do expediente enfrenta o transito pela 2ª vez, chega em casa após as 20h, ouve as reclamações do dia, mal consegue se sentar à poltrona, porque a sogra está à espera dele em frente ao prédio do sus, vai para a rua, encontra o vizinho que quer discutir o espaço do lixo na calçada, o despista e vai buscar a véia. Retorna pra casa. Seu cérebro está inchado. Reclamações da diretora da escola, do chefe, da esposa e da sogra ecoam em sua cabeça. A válvula de escape para aquele pai de família é o final de semana no litoral. Na sexta-feira, após o expediente, as malas prontas, o mais fácil é colocar todos dentro da Belina velha sem revisão e se aventurar pela rodovia.


- Aninha ! Porque será que ta tudo parado??
- Ai, Clarinha ! Não sei ! Vou descer do carro e me informar com os demais motoristas, ou melhor, eu vou lá ver...
- Nossa ! Clarinha ! Você não sabe !
- Aninha ! Se você me contar eu vou saber !
- É que uma Belina velha quebrou logo ali na entrada do túnel. E dizem que a bagagem que estava empilhada, foi parar no meio da pista. Ta parecendo cena de filme ! A família inteira é bizarra, são os ditos, farofeiros. É, amiga ! O negócio é pegar um desvio. Eu vi um logo ali na frente. E se a gente for pelo acostamento...

- Ai, Aninha ! Que estrada é essa? Só tem caminhões, amiga.
- Aninha ! Aninha ! O que ta acontecendo aqui? Ai ! Meu Deus !!!


E nossas amigas, enfrentam o transito, o fluxo pesado dos caminhões pela rodovia Anchieta.


Continua...

Agosto 09, 2006

Clara e a crise dos sexos III.

Manual da usuária da cidade que vai a praia, lição numero dois, o embarque:

Após checar a bagagem, conferir peça por peça, contabilizar e perder mais uns minutos pensando se está levando tudo, é chegada à hora. Mais, espere! É chegada a hora mais complicada que existe no cotidiano feminino, a saída.
Bem. Sair de casa nem sempre é tão simples. Existe um certo ritual. Mais há a grande diferença entre os rituais do cotidiano e o ritual de uma viagem. Clara, entre em ação. A sondagem.
As malas que estão no quarto vão para o corredor. O quarto tem a janela cerrada, a cortina no lugar, a cama arrumada e as almofadas sobre ela, o ar condicionado desligado, as roupas que sobraram voltam para o guarda-roupa junto com o edredom e o travesseiro, os calçados espalhados pelo quarto vão para a sapateira, o abajour desligado, os chicletes, papeis de bala e chocolates vão parar na mão de Clara junto com as roupas sujas do dia anterior, mais espere! Tem o mancebo que se encontra desorganizado e Clara avista uma teia de aranha próximo à luminária, o que a deixa enraivecida com a diarista que anda deixando falhas. Clara deixa tudo o que está segurando e vai atrás de uma vassoura, a essa altura a amiga:
- Clara Maria!! Deixa tudo aí e vamos embora!! A viagem é pra hoje! Se eu soubesse, eu mesma viria aqui fazer as malas, criatura! Diz, Aninha.
- Já falei! É Maria Clara! Maria Clara!! Ai, amiga! Olha como está isso aqui! O verdadeiro caos!! Eu preciso dar um jeito nisso!! Eu preciso!!
- Claraaaaaaaaa!! Pára de neura e vamos embora! (Ana, perde a calma. Também pudera).
Bem, pelo menos as roupas vão para o cesto. Após, o massacre no bairro japonês, ops! (até eu me perdi no texto depois da chamada de atenção de Clara Maria), ops! (Maria Clara! Maria Clara!), vamos a demais dependências checar junto com a nossa amiga (sem noção), para então, finalmente irem ao seu destino, a praia.
Luzes apagadas, tomadas desligadas, aquecedores e o gás com o registro cerrado, e assim mesmo, ainda falta algo, algo que instiga Maria Clara e nem ela mesma sabe o que é.
-Ai! Aninha! Ainda não saio daqui! Algo me diz que tem alguma coisa errada! Todos os dias o ritual é similar a esse, mais à noite eu retorno pra casa! Estou insegura, minha amiga! A intuição é quem está dizendo! E espera aí um pouquinho...
- Clara, você só pode estar de brincadeira comigo? ( diz, Ana, que a horas está largada no cheese long de Clara)
- Lembrei! Preciso avisar a Deb’s, a Renata e o Marquinho que eu não vou estar aqui e eles que façam o favor de avisar o resto do pessoal!
- Maria Clara!! Não dá pra você avisar do celular a hora que estivermos na estrada? ( diz Ana, que está a escorregar da cheese long, para o chão).
- Mais é só um telefonema, amiga! E o interurbano fica mais caro e não é você quem paga a conta do celular no fim do mês, né? É rapidão.
Meia hora depois...
- Agora vamos!! Já estão todos avisados!!! Mais espere!! Tenho algo a fazer!! Não dá pra segurar!! Agora é rápido! Eu prometo!! É que eu fico tão ansiosa, que me dá soltura de ventre. Amiga!! É caso de vida ou morte! Você não vai querer que o acento do carro fique inutilizável por uns dias, né? E além do mais, é um problema que tenho, e é genético! Minha mãe, minhas tias e até as minhas primas, sofremos com isso! E tem mais! Quando eu chegar ao litoral, você vai perceber que eu vou ficar constipada! É um problema, é um...
- Anda logo, mulher! Como consegue falar tanto? Ta segurando, é? À vontade quando vem, ninguém segura! Seu problema é psicológico, o meu analista... hei! Vamos ficar aqui filosofando a arte de ir ao banheiro? Vai logo Maria Clara! Diz Ana, que também vai ao banheiro, só que no da suíte.

E assim, Maria Clara e Aninha, vão à praia. E claro, antes da saída, mais uma checada em tudo e a chave do Ap, entregue ao porteiro.
- Boa noite, meninas!! Boa viagem! (Firmino, o porteiro).



continua...

Agosto 07, 2006

Clara e a crise dos sexos II.

Maria Clara Padilha, Clarinha, para os íntimos. Sexta-feira, pós-expediente, ela e uma amiga resolvem descer a serra, o destino, litoral norte de São Paulo.
1 hora antes, ao telefone:
- Clarinha! Não se demore! Estaremos na estrada a partir das 20h. Já arrumou pelo menos a bagagem?
- Aninha! Agora eu não posso falar! Estou no meio de uma reunião, melhor dizendo, ao fim de uma reunião. Meu chefe ta fazendo umas caretas, enquanto estou falando, o melhor a fazer é te ligar depois. Ainda não arrumei as malas. Ai! Ele está vindo na minha direção. Bye, amiga, bye!
- Maria Clara! Algum problema?
- Nada não, senhor Alceu!

Transito.
- Eu não acredito que a marginal está assim? Congestionada! Tudo pra me ajudar! Droga! Agora que eu não chego mesmo! (Clara com ela mesma)
Clara, enfrenta o transito, acelera no sinal amarelo, usa a faixa do acostamento e segue atrás da ambulância que abre caminho. Consegue chegar até o seu Ap. Sobe as escadas até o 4ºandar, enquanto o elevador está congestionado com as compras do vizinho do sexto A. Sai do circuito escada, abre a porta corta-fogo, caminha rapidamente pelo corredor, vira a esquerda e mais uns passos o seu “lar doce lar”, procura a chave dentro da bolsa e cadê a chave? Clara havia deixado dentro da porta-luva do carro. Vai até o elevador e conta até o 3º minuto. Desiste do elevador que está parado no sexto andar. Desce as escadas. Tempo depois...
- Clarinha! Estou aqui embaixo, te esperando!
- Aninha! Não quer subir, menina? É que eu estou a fazer as malas...
- Clara Maria! Não me diga que você ainda não as arrumou?
- Aninha! É Maria Clara! E você não sabe o sufoco que eu passei, foi chefe reestruturando o serviço, transito na marginal, problema com elevador, tudo aconteceu comigo e se eu continuar a falar pelo telefone, hoje a gente não sai tão cedo daqui!
- Arrrrgh, mulher! Estou subindo! Aprese-se.

Clara e o fazer as malas. Porque será que nós mulheres, temos a difícil missão de arrumar uma bagagem? É que são tantos os detalhes! E a quantidade depende de quantos dias vai se estar fora. Um exemplo. Praia, o que levar?

Manual da usuária da cidade que vai a praia, lição numero um, as malas:

- Roupa de banho. Entende-se que a roupa de banho são as consideradas, peça intima do vestuário feminino. Clara a nossa amiga pretende passar o final de semana na praia, dois dias, consideramos a sexta como um dia a mais, logo então, Clara estará ausente, na verdade por três dias, contabilizando as manhas, as tardes e as noites, Clara, têm na mala 15 conjuntos de calcinhas e soutiens, 6 conjuntos de biquínis, 6 saídas de banho e 2 maiôs, caso o tempo não esteja ao seu favor (impossível não estar, segundo a meteorologia o tempo estaria estável). Não esquecendo que no universo feminino o melhor é sempre sobrar e nunca faltar.
- Roupa para o dia. Esta é a parte mais difícil. A composição das roupas do dia, são feitas por peças que se autocombinam. Não ficaria bem, levar uma saia anos 30 para ser usado com uma blusinha decotada ano 90. As cores também são fundamentais, tons brancos, pastéis, algumas peças coloridas, pra dar um ar mais descontraído, não formal, e o pretinho básico para aquelas saideiras noturnas. Na mala vão:
- 10 blusas de manga curta,
- 8 blusas decotadas,
- 6 regatas,
- 4 tops,
- 3 mini-blusas,
- 3 mangas longas (malha fina),
- 8 shorts,
- 6 bermudas,
- 10 mini-saias,
- 3 calças jeans e 2 conjuntos de moletom.
Ainda corre-se o risco de se esquecer alguma peça. Em todo o caso, salve o cartão de credito.
Mais não pára por aí. Ainda temos os acessórios, os calçados, as toalhas de banho, as roupas de cama, acessórios de higiene pessoal e um kit de primeiros socorros.
A essa altura, as malas se multiplicavam, e o final de semana estava com cara de férias de verão em Salvador.

Continua....