O dia de Maria, parte 5.
Maria sabia o que a esperava. Não são boas as noticias. Às 10 horas de uma manhã gelada, homens da justiça, a representaria perante a corte. O relógio marcou as oito horas. Gabriel menino, ao leito se encontra. A manta de lã envolve seu pequenino corpo. De face tranqüila e respiração leve, a mãe está a observar aquele ser tão frágil e indefeso, com a mais tenra candura. O menino desperta, e vai para os braços da mãe, que o acalenta...
Corra, Maria! Corra! Antes que o levem dos seus braços.
Maria tem pouco tempo para uma decisão. Desce a rua correndo. Uma louca desesperada! Avista sua casinha acolhedora. Tem por perto os vizinhos, e o pequeno Gabriel, a brincar no portão de seu Joaquim. -Obrigado gentil senhor, por cuidar do pequenino!
Roupas dentro da sacola, uma marmita cheia, Gabriel de banho tomado e a ultima refeição. Enquanto comem, seus olhos enchem de água. Não podem se demorar, ainda é dia. A tristeza os acompanha. Olha para cada canto da casa. Já não tinham muito. Era necessário abrir mão de tudo e de novo, para correr atrás do porvir. Leva consigo pouca economia e muitas lembranças. Deixa para trás, as roupas do dia seguinte. Não teve tempo de coara-las e sem tempo de as entregar.
A distancia, torna a casinha pequena, as pessoas pequenas, o bairro pequeno. A rua é da amargura. Para onde há de levá-los? A justiça, assim que determinasse o prazo das 24h, viria buscar o herdeiro de curador Carrasco, o levaria, o menino, para seu novo lar.
Um caminhão em direção a Maria a frente está. Era o fim de Maria? Era o fim do pequeno Gabriel? É o fim daquele lugar, das sombras, do destino mal fadado, das roupas brancas, e o condutor do caminhão diminui a velocidade até parar por completo. Pergunta a Maria para onde vão, Maria sorri e diz, tem lugar junto a boleia para eu e meu filho?
Um homem vestido de branco e de sorriso angelical, “o caminhoneiro”, os leva, Maria e o menino. O destino, o Paraná.
agosto 06, 2006
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1 Comments:
"e tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
Cara mia,
A saga de maria continua, cresce a cada dia, "Marias" são muitas, todos os dias, é só olhar as ruas.
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