Julho 08, 2006

Meia-noite e meia, a lua alta pairava no céu. Os casarões da rua Quinze, refletiam o brilho dos peitoris e das frontarias cerres. Entre um esteio e outro, há pouca iluminação. Logo à frente, um vulto cruza a rua. Seus passos largos e oscilantes, revelam um homem embriagado. O rastro daquele homem, ficou no ar. O doce cheiro, indicava uma boa safra. Logo, a movimentação. Adentrando ao beco, a casa de varanda, única da ruela, abrigava corpos se exibindo a rua. A canção da vitrola, vinha ruidosa. O doce cheiro da boa safra misturava-se ao odor de corpos exaustos. Vozes frenéticas por todos os lados. Madame Lorry, esguia, de finos traços, segurando um cálice em uma das mãos, desce os três degraus, a segurar o corrimão, e vem para a rua, a espera do seu estimado. Verão. A noite é agradável. Uma hora antes, ela, a do corpo esguio, encontra-se nas dependências do bordel. Um homem com seu chapéu coco, paletó branco, portando algumas folhas secas de tabaco, preparando o fumo, é recebido pelo cafetão. Aponta para a garota que está sobre a soleira do quarto, a esperar. De sorriso tímido, o recebe em seu aposento. O homem pede o melhor vinho. Vinho é a especialidade da casa. A dama veste uma transparência vermelha. O meio fio do candelabro, desenha a silhueta. Aproximam-se. A água-de-cheiro, é envolvente. Dois toques a porta. O vinho. Embebedam-se. Seu corpo, coberto por transparência, faz o varão contorcer-se todo. Entre um cálice e outro, ele a possui. Exaustos, entregues a volúpia, o homem caminha ao toalete, lava-se e sai a acertar as contas. Ela, traga das folhas de rapé, bebe um gole de vinho e põe-se firme novamente. A dama das damas.

1 Comments:

At 11:45 PM, Anonymous J.K>LL said...

Ousado.... isto me lembra algumas doses a mais de absinto em uma csa qualquer...

 

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