Julho 11, 2006

A saga de Maria, parte 3.

O amanhã se fez do ontem. A procuradoria geral. O cartaz era bem claro quanto ao horário de funcionamento (de segunda a quinta das 14h às 16h). O lugar encontrava-se na região central. Um casarão antigo cheirando a mofo, velhos móveis e assoalho carcomido por cupins; já na entrada um homem fardado entregando as senhas, a de Maria era a de numero 55.
O descaso. Amontoados de pessoas em uma saleta cúbica a esperar pelo atendimento. Velhos, gestantes, mães com suas crianças e poucos acentos. A longa espera. Três era o numero de funcionários, a atender. O homem fardado e suas múltiplas funções, alem de senhas era o responsável por guardar o patrimônio, estabelecer a ordem e organizar os que estavam ali presentes. À direita, dois guichês. Um dos atendentes pára o que se está fazendo para atender ao telefonema particular, o celular. Era de suma importância dar prioridade a aquela ligação, se não como saber onde estaria a cúpula logo após o exaustivo expediente.
O cansaço mistura-se a faces, a expressões de preocupação. O falatório, as ações judiciais, as pensões não pagas um misto daquele lugar apreensivo. Um jovem condutor com seu veiculo a rua, desvia a atenção, faz uma graça e os comentários mudam:
- Olha lá, é batida!
- Não, não deve ser. Eu não escutei o pá da batida!
- Deve ser algum perturbado!
- É cantou o pneu. Foi só isso!

A fome avisa ao estomago de Maria. Já se passavam algumas horas da ultima refeição. Uma senhora a olhar o relógio de pulso, de cabelos negros, presos ao alto da cabeça, usando uma saia até o joelho, blusa de alpaca, um casaquinho por sobre os ombros, carrega uma pequena bolsa amarela e uma pasta de elástico azul. Começa a chover lá fora. A expressão de preocupação da senhora se acentua. Pessoas não paravam de chegar ao local. Casos aos montes. Inúmeras consultas ao dia, acúmulo de papéis sobre o balcão e tantas outras questões pendentes a resolver. Há pressa, porém, a justiça é lenta.
Duas horas já se passaram e o numero correspondente à espera caíra para o numero vinte.
Era a vez da senhora do relógio. Com muito esmero, levanta-se devagar do banco. Aparentava ter 70 anos, sofridos. Não se demora e quando sai da sala, a expressão de sua face cansada não era boa. Ficou uns minutos a olhar a chuva que cai e retirando o guarda-chuva da bolsa seguiu para a rua, até desaparecer.

3 Comments:

At 11:06 PM, Blogger Alexandre L. Carvalho said...

mtu bacana seu blog ! =] !
obrigado por comentar la no meu !
moro em campinas, pertinho de jundiai...ja ateh trabalhei ai! rs !
pega meu msn se quizer > alexander_eiche@hotmail.com !
abraços =]

 
At 11:47 PM, Anonymous J.K>LL said...

Falhei contigo nesta semana...

Vou reler a vida de Maria. A evolução assim se fez. Está no 3ºato. Bom, continue cara mia.

 
At 12:00 AM, Blogger Srta. Idda T. said...

Que legal! Um novo visitante, seja bem vindo!



e não há maiores problemas em falhas totalmente humanas" =P


bjos

 

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