Foi bom pra você, amor?
Eis aí um texto inteligentíssimo, sobre certas "Proezas Humanas".Acredita mesmo em Proezas? Digo, a grande estupidez humana. Melhor dizendo:
- Um pouco do HOMEM estúpido. (Sútil, não?)
Identifique-se e seja feliz. Porque sempre vai existir uma tola a passar por isso.
E o Beijo na boca?
FOI BOM PRA VOCÊ?
“Isso lá é pergunta que se faça? Se o autocentrado não percebeu que fazia sexo praticamente sozinho, usando a minha companhia apenas como testemunha de como um homem maduro e aparentemente experiente pode ser tão ruim de cama, isso é problema dele!”Foi assim, soltando as cachorras, que Marilena chegou para almoçar com Claudinha.
“O meu problema foi ter investido tempo, grana e tesão nessa bobagem que tem a presunção de chamar de sexo. E pensar que depilei tudo, hidratei tudo e fiz de tudo, pra nada! Você acredita que estou com três cheques pré-datados na praça, gastos em lingerie que ele nem notou? Tirou, jogou num canto e não viu nem a cor”, continuava.
“Séculos de dominação sexual deram nisso. Eles não sacam absolutamente nada de mulher, e ficam aí posando de lindos. Existe algo menos erótico do que sentar na cama e explicar pedagogicamente: esta é uma vagina. Aqui fica o clitóris. Clitóris não é uma campainha que tem que ser apertada, esmigalhada por mãos ansiosas e impacientes! Muito pelo contrário. Não sabia que apressado come cru?”
O garçom chegou com uma caipirinha enquanto Marilena, exaltada, ia adiante.”Você acredita que, entre abrir a porta do quarto do motel e acender o cigarro para relaxar, levou 11 minutos? 11 minutos!”, berrava, assustando o garçom que trazia os ovinhos de codorna para acompanhar a caipirinha de lima-da-pérsia. “Onde já se viu uma coisa dessas? O que se pode fazer em 11 minutos?”
Claudinha, querendo acalmar o ânimo da amiga, sugeriu timidamente: “Um beijo na boca?”. “Que beijo na boca? E ele lá teve tempo para isso! Parecia que aquela ereção era um sorvete que ia derreter se não fosse imediatamente acomodado no freezer. Sim, porque quando senti a velocidade estonteante dos acontecimentos virei uma geladeira sem pingüim para enfeitar! Um desperdício! Aquele Apolo cheio de músculo e pose e, na hora do vamos ver, cadê? Era só fachada!”
Deu um gole enorme na caipirinha sob o olhar cada vez mais atento do garçom, que trazia um prato de ostras frescas, e continuou. “Mas agora enchi! Enchi de ficar tratando esses marmanjos a pão-de-ló.
Já simulei muito orgasmo. Já fiz muito papel de psicóloga, amiga e amante compreensiva.
Não vou mais fazer! Vão Ter que encarar a sinceridade cruel de Marilena, a franca.
Esses caras têm que ter vergonha na cara e pensar um pouquinho que seja no outro, quero dizer na outra, na parceira! Chega de hipocrisia! Queremos preliminares! Sexo inclui pele, língua, dedo, mão, coxa, perna, braço! Os carinhas acham que basta o desempenho do seu fabuloso” troféu “. Se fosse só isso, era moleza. Qualquer sex shop vende de todos os tamanhos e formatos. E aí não precisava seduzir, sair para jantar e ficar linda jogando conversa fora. Era” pá, pum e foi“.
Sabe de uma coisa? Vou fazer um site e colocar a ficha deles na Internet!”.
Claudinha, a rainha da cultura inútil, comenta: “Sabia que eu li numa revista que 90% dos homens não sabem dar prazer para as mulheres?” Marilena já meio alta, vocifera: “Eu estou pouco me lixando para eles, quero saber onde estão os 10% que sabem!”.
Nesse momento o garçom entrega a conta para Marilena junto com um torpedo, onde está escrito: - “Eu conheço um”. Ela olha pela primeira vez para o rapaz que estava servindo a mesa e se encanta com o sorriso safado de quem sabe o que diz.
Dali para o primeiro encontro foi um passo. Ele não estava mentindo, Adalberto era um show de bola. Não só estava incluído nos 10% que entendem do riscado, com encabeçava a seletíssima lista de homens que adoram mulheres.
Foi com louvor que a exigentíssima Marilena deu nota 11 para ele. Mas dessa vez não abriu o bico com a amiga Claudinha. Imbuída do mais puro e salutar egoísmo, resolveu guardar para si os atributos do rapaz. Vai que esse sucesso cai na boca do povo e inventam de fazer um calendário com os garçons da cidade. Se colocam Adalberto na capa, pronto! Lá se vai a sua galinha dos ovos de ouro.

