agosto 19, 2006

Clara e a crise dos sexos IV.

Já na estrada.

- Ai ! Amiga ! Eu não acredito que estamos indo ao litoral ! É tudo tão efêmero ! Até a pouco tempo atrás, estávamos nós no meu Apart Hotel ! Chique esse termo, né não? Aninha? Aninha? Aninhaaaaaaaaaaa !!!
- Ai ! Que saco ! O que foi dessa vez Clara Maria?
- É, Maria Clara ! Já falei ! Aonde já se viu cochilar ao volante? Só você mesma pra me dar um susto desses.
- Clara Maria ! Você viu o tamanho da fila de carros? Por acaso você pensa que estamos na Marquês de Sapucaí, esperando a Mangueira entrar? Ou então, numa ponte aérea, esperando o vôo das 23h, com escala pra Miami? Acorda mulher ! Alias, mantenha-se acordada e me deixa cochilar mais um pouco. Pelo visto, não chegaremos tão cedo ao litoral. Péssima hora pra um congestionamento.
- Aninha, amiga ! Chegaremos cedo sim ! Já passam das 2h da manhã ! Amanhã cedo estaremos lá ! E pode abrir esses olhos, porque a fila começou a andar...


O caos. Porque será que a maioria dos paulistanos resolve descer a serra num mesmo final de semana? Já não bastava enfrentar o transito da caótica cidade durante a semana e mesmo assim, tê-lo que enfrentar no final da mesma? Não. Não é o suficiente para essa “gente da garoa”. Faz-se de tudo para curtir o momento família (o pai, a mãe, o irmão caçula, o do meio, o mais velho, a avó, o cachorro, o gato e o papagaio), mesmo que esse momento seja repleto de imprevistos. Fico eu aqui a imaginar... Um veículo normal comporta 5 passageiros. No caso da família citada, além de um passageiro a mais, havia um gato, o cão e o papagaio, num total de 9 passageiros. Eu me pergunto: - Seria ele, o pai de família molestado psicologicamente? A resposta é sim. O pai de família, é um cidadão cheio de responsabilidades. É o cara que acorda cedo, leva o filho caçula e o do meio pra escola, e a sogra pra uma consulta medica. Deixa a véia no consultório (porque antes do meio dia, ela não seria atendida pelo SUS), vai para o escritório, trabalha, camela e retorna pra casa almoçar. Antes, refaz o caminho, recolhe a sogra (que ainda não foi atendida e com muito esforço consegue tirá-la daquele lugar, expressando a sua preocupação com ela, que está a horas sem comer nada), refaz o caminho da escola e ainda por cima perde um tempo pra ouvir as reclamações da diretora sobre o filho caçula. Consegue chegar em casa. Senta pra ver o jornal da tv, enquanto a amada esposa prepara a mesa da refeição. Só que quem disse que ele consegue assistir a tv? É o filho caçula brigando com o do meio, um vendedor a porta a bater, o radio ensurdecedor da vizinha ao lado, o filho mais velho que está a horas no banheiro, o cão correndo atrás do gato, o papagaio irritado que grita ao barulho da campainha e ninguém a atender, e com tudo, o pai de família atende a porta e ao voltar se depara com a sogra sentada em sua poltrona monopolizando o controle remoto.
Após o almoço, o pai de família, leva o outro filho a escola e deixa a sogra no SUS (era a senha de numero 85 que estava sendo atendida, a da véia era de numero 130), e vai para o seu trabalho, o escritório na Lapa. Sai do expediente enfrenta o transito pela 2ª vez, chega em casa após as 20h, ouve as reclamações do dia, mal consegue se sentar à poltrona, porque a sogra está à espera dele em frente ao prédio do sus, vai para a rua, encontra o vizinho que quer discutir o espaço do lixo na calçada, o despista e vai buscar a véia. Retorna pra casa. Seu cérebro está inchado. Reclamações da diretora da escola, do chefe, da esposa e da sogra ecoam em sua cabeça. A válvula de escape para aquele pai de família é o final de semana no litoral. Na sexta-feira, após o expediente, as malas prontas, o mais fácil é colocar todos dentro da Belina velha sem revisão e se aventurar pela rodovia.


- Aninha ! Porque será que ta tudo parado??
- Ai, Clarinha ! Não sei ! Vou descer do carro e me informar com os demais motoristas, ou melhor, eu vou lá ver...
- Nossa ! Clarinha ! Você não sabe !
- Aninha ! Se você me contar eu vou saber !
- É que uma Belina velha quebrou logo ali na entrada do túnel. E dizem que a bagagem que estava empilhada, foi parar no meio da pista. Ta parecendo cena de filme ! A família inteira é bizarra, são os ditos, farofeiros. É, amiga ! O negócio é pegar um desvio. Eu vi um logo ali na frente. E se a gente for pelo acostamento...

- Ai, Aninha ! Que estrada é essa? Só tem caminhões, amiga.
- Aninha ! Aninha ! O que ta acontecendo aqui? Ai ! Meu Deus !!!


E nossas amigas, enfrentam o transito, o fluxo pesado dos caminhões pela rodovia Anchieta.


Continua...

agosto 09, 2006

Clara e a crise dos sexos III.

Manual da usuária da cidade que vai a praia, lição numero dois, o embarque:

Após checar a bagagem, conferir peça por peça, contabilizar e perder mais uns minutos pensando se está levando tudo, é chegada à hora. Mais, espere! É chegada a hora mais complicada que existe no cotidiano feminino, a saída.
Bem. Sair de casa nem sempre é tão simples. Existe um certo ritual. Mais há a grande diferença entre os rituais do cotidiano e o ritual de uma viagem. Clara, entre em ação. A sondagem.
As malas que estão no quarto vão para o corredor. O quarto tem a janela cerrada, a cortina no lugar, a cama arrumada e as almofadas sobre ela, o ar condicionado desligado, as roupas que sobraram voltam para o guarda-roupa junto com o edredom e o travesseiro, os calçados espalhados pelo quarto vão para a sapateira, o abajour desligado, os chicletes, papeis de bala e chocolates vão parar na mão de Clara junto com as roupas sujas do dia anterior, mais espere! Tem o mancebo que se encontra desorganizado e Clara avista uma teia de aranha próximo à luminária, o que a deixa enraivecida com a diarista que anda deixando falhas. Clara deixa tudo o que está segurando e vai atrás de uma vassoura, a essa altura a amiga:
- Clara Maria!! Deixa tudo aí e vamos embora!! A viagem é pra hoje! Se eu soubesse, eu mesma viria aqui fazer as malas, criatura! Diz, Aninha.
- Já falei! É Maria Clara! Maria Clara!! Ai, amiga! Olha como está isso aqui! O verdadeiro caos!! Eu preciso dar um jeito nisso!! Eu preciso!!
- Claraaaaaaaaa!! Pára de neura e vamos embora! (Ana, perde a calma. Também pudera).
Bem, pelo menos as roupas vão para o cesto. Após, o massacre no bairro japonês, ops! (até eu me perdi no texto depois da chamada de atenção de Clara Maria), ops! (Maria Clara! Maria Clara!), vamos a demais dependências checar junto com a nossa amiga (sem noção), para então, finalmente irem ao seu destino, a praia.
Luzes apagadas, tomadas desligadas, aquecedores e o gás com o registro cerrado, e assim mesmo, ainda falta algo, algo que instiga Maria Clara e nem ela mesma sabe o que é.
-Ai! Aninha! Ainda não saio daqui! Algo me diz que tem alguma coisa errada! Todos os dias o ritual é similar a esse, mais à noite eu retorno pra casa! Estou insegura, minha amiga! A intuição é quem está dizendo! E espera aí um pouquinho...
- Clara, você só pode estar de brincadeira comigo? ( diz, Ana, que a horas está largada no cheese long de Clara)
- Lembrei! Preciso avisar a Deb’s, a Renata e o Marquinho que eu não vou estar aqui e eles que façam o favor de avisar o resto do pessoal!
- Maria Clara!! Não dá pra você avisar do celular a hora que estivermos na estrada? ( diz Ana, que está a escorregar da cheese long, para o chão).
- Mais é só um telefonema, amiga! E o interurbano fica mais caro e não é você quem paga a conta do celular no fim do mês, né? É rapidão.
Meia hora depois...
- Agora vamos!! Já estão todos avisados!!! Mais espere!! Tenho algo a fazer!! Não dá pra segurar!! Agora é rápido! Eu prometo!! É que eu fico tão ansiosa, que me dá soltura de ventre. Amiga!! É caso de vida ou morte! Você não vai querer que o acento do carro fique inutilizável por uns dias, né? E além do mais, é um problema que tenho, e é genético! Minha mãe, minhas tias e até as minhas primas, sofremos com isso! E tem mais! Quando eu chegar ao litoral, você vai perceber que eu vou ficar constipada! É um problema, é um...
- Anda logo, mulher! Como consegue falar tanto? Ta segurando, é? À vontade quando vem, ninguém segura! Seu problema é psicológico, o meu analista... hei! Vamos ficar aqui filosofando a arte de ir ao banheiro? Vai logo Maria Clara! Diz Ana, que também vai ao banheiro, só que no da suíte.

E assim, Maria Clara e Aninha, vão à praia. E claro, antes da saída, mais uma checada em tudo e a chave do Ap, entregue ao porteiro.
- Boa noite, meninas!! Boa viagem! (Firmino, o porteiro).



continua...

agosto 07, 2006

Clara e a crise dos sexos II.

Maria Clara Padilha, Clarinha, para os íntimos. Sexta-feira, pós-expediente, ela e uma amiga resolvem descer a serra, o destino, litoral norte de São Paulo.
1 hora antes, ao telefone:
- Clarinha! Não se demore! Estaremos na estrada a partir das 20h. Já arrumou pelo menos a bagagem?
- Aninha! Agora eu não posso falar! Estou no meio de uma reunião, melhor dizendo, ao fim de uma reunião. Meu chefe ta fazendo umas caretas, enquanto estou falando, o melhor a fazer é te ligar depois. Ainda não arrumei as malas. Ai! Ele está vindo na minha direção. Bye, amiga, bye!
- Maria Clara! Algum problema?
- Nada não, senhor Alceu!

Transito.
- Eu não acredito que a marginal está assim? Congestionada! Tudo pra me ajudar! Droga! Agora que eu não chego mesmo! (Clara com ela mesma)
Clara, enfrenta o transito, acelera no sinal amarelo, usa a faixa do acostamento e segue atrás da ambulância que abre caminho. Consegue chegar até o seu Ap. Sobe as escadas até o 4ºandar, enquanto o elevador está congestionado com as compras do vizinho do sexto A. Sai do circuito escada, abre a porta corta-fogo, caminha rapidamente pelo corredor, vira a esquerda e mais uns passos o seu “lar doce lar”, procura a chave dentro da bolsa e cadê a chave? Clara havia deixado dentro da porta-luva do carro. Vai até o elevador e conta até o 3º minuto. Desiste do elevador que está parado no sexto andar. Desce as escadas. Tempo depois...
- Clarinha! Estou aqui embaixo, te esperando!
- Aninha! Não quer subir, menina? É que eu estou a fazer as malas...
- Clara Maria! Não me diga que você ainda não as arrumou?
- Aninha! É Maria Clara! E você não sabe o sufoco que eu passei, foi chefe reestruturando o serviço, transito na marginal, problema com elevador, tudo aconteceu comigo e se eu continuar a falar pelo telefone, hoje a gente não sai tão cedo daqui!
- Arrrrgh, mulher! Estou subindo! Aprese-se.

Clara e o fazer as malas. Porque será que nós mulheres, temos a difícil missão de arrumar uma bagagem? É que são tantos os detalhes! E a quantidade depende de quantos dias vai se estar fora. Um exemplo. Praia, o que levar?

Manual da usuária da cidade que vai a praia, lição numero um, as malas:

- Roupa de banho. Entende-se que a roupa de banho são as consideradas, peça intima do vestuário feminino. Clara a nossa amiga pretende passar o final de semana na praia, dois dias, consideramos a sexta como um dia a mais, logo então, Clara estará ausente, na verdade por três dias, contabilizando as manhas, as tardes e as noites, Clara, têm na mala 15 conjuntos de calcinhas e soutiens, 6 conjuntos de biquínis, 6 saídas de banho e 2 maiôs, caso o tempo não esteja ao seu favor (impossível não estar, segundo a meteorologia o tempo estaria estável). Não esquecendo que no universo feminino o melhor é sempre sobrar e nunca faltar.
- Roupa para o dia. Esta é a parte mais difícil. A composição das roupas do dia, são feitas por peças que se autocombinam. Não ficaria bem, levar uma saia anos 30 para ser usado com uma blusinha decotada ano 90. As cores também são fundamentais, tons brancos, pastéis, algumas peças coloridas, pra dar um ar mais descontraído, não formal, e o pretinho básico para aquelas saideiras noturnas. Na mala vão:
- 10 blusas de manga curta,
- 8 blusas decotadas,
- 6 regatas,
- 4 tops,
- 3 mini-blusas,
- 3 mangas longas (malha fina),
- 8 shorts,
- 6 bermudas,
- 10 mini-saias,
- 3 calças jeans e 2 conjuntos de moletom.
Ainda corre-se o risco de se esquecer alguma peça. Em todo o caso, salve o cartão de credito.
Mais não pára por aí. Ainda temos os acessórios, os calçados, as toalhas de banho, as roupas de cama, acessórios de higiene pessoal e um kit de primeiros socorros.
A essa altura, as malas se multiplicavam, e o final de semana estava com cara de férias de verão em Salvador.

Continua....

agosto 06, 2006

O dia de Maria, parte 5.

Maria sabia o que a esperava. Não são boas as noticias. Às 10 horas de uma manhã gelada, homens da justiça, a representaria perante a corte. O relógio marcou as oito horas. Gabriel menino, ao leito se encontra. A manta de lã envolve seu pequenino corpo. De face tranqüila e respiração leve, a mãe está a observar aquele ser tão frágil e indefeso, com a mais tenra candura. O menino desperta, e vai para os braços da mãe, que o acalenta...

Corra, Maria! Corra! Antes que o levem dos seus braços.
Maria tem pouco tempo para uma decisão. Desce a rua correndo. Uma louca desesperada! Avista sua casinha acolhedora. Tem por perto os vizinhos, e o pequeno Gabriel, a brincar no portão de seu Joaquim. -Obrigado gentil senhor, por cuidar do pequenino!
Roupas dentro da sacola, uma marmita cheia, Gabriel de banho tomado e a ultima refeição. Enquanto comem, seus olhos enchem de água. Não podem se demorar, ainda é dia. A tristeza os acompanha. Olha para cada canto da casa. Já não tinham muito. Era necessário abrir mão de tudo e de novo, para correr atrás do porvir. Leva consigo pouca economia e muitas lembranças. Deixa para trás, as roupas do dia seguinte. Não teve tempo de coara-las e sem tempo de as entregar.
A distancia, torna a casinha pequena, as pessoas pequenas, o bairro pequeno. A rua é da amargura. Para onde há de levá-los? A justiça, assim que determinasse o prazo das 24h, viria buscar o herdeiro de curador Carrasco, o levaria, o menino, para seu novo lar.
Um caminhão em direção a Maria a frente está. Era o fim de Maria? Era o fim do pequeno Gabriel? É o fim daquele lugar, das sombras, do destino mal fadado, das roupas brancas, e o condutor do caminhão diminui a velocidade até parar por completo. Pergunta a Maria para onde vão, Maria sorri e diz, tem lugar junto a boleia para eu e meu filho?
Um homem vestido de branco e de sorriso angelical, “o caminhoneiro”, os leva, Maria e o menino. O destino, o Paraná.

agosto 05, 2006

Clara e a crise dos sexos I.

Dia desses Clarinha, a recém-formada analista de sistemas, faz uma auto-analise. Estou com 27 anos, carreira estável, amigos nota dez, uma modesta conta em banco, poucos investimentos, compras no mercado a fazer e espera aí....Homens! Não me recordo.
É. Clara, Clarinha, a fêmea bem sucedida, não se recordava da classe, cujo, o registro geral, faz questão de classificar e certificar o gênero assim chamado masculino. Gênero. Conjunto de seres com os mesmos caracteres essenciais. O problema está nos genes, a genética é a verdadeira culpada pela má formação desse conjunto de cromossomos, com uma virgula a mais, localizada abaixo do abdômen, salvo aqueles que ainda conseguem ver sua própria virgula. Mas, o foco não é a virgula, ou melhor, é, e não é, é aquele que a carrega, o homem. Homens. Clara e seus calorosos relacionamentos. Clara e seus prazerosos relacionamentos. Clara e seus dolorosos, penosos, ardilosos, relacionamentos. A cabeça de Clara foi a milhão. Voltemos ao assunto principal, homens.
Tarde agradável. Clara sem ter o que fazer, se apaixona pela Internet. O ócio, é o grande vilão da historia. Clara não escolhe a dedos, ela é a vitima. De certo que esse maníaco pervertido, com temperatura elevada, sedento por um traseiro novo, encontra a nossa querida (ela é querida), amiga, companheira de muitas tardes de prosas e a convida a teclar. Como bom malandro que é, a elogia, elogia e elogia. Clara com o ego inflado, rende-se as graças desse maníaco pervertido, tatuado, (fator novo), de alta temperatura e parte para um encontro menos virtual.
A conversa. Porque será que o homem aprende a ser cortês e esquece rapidamente após transar?
Antes da transa:
O ardiloso: - Você está linda, hoje!
A emocionalmente abalada: - Você acha?
O ardiloso: - o que prefere beber? Eu sugiro o vinho da casa!
A emocionalmente abalada ri delicadamente baixo e responde: - Você é refinado! Eu aceito o vinho!... Bem, não vem ao caso o longo trajeto da historia e sim o desfecho no motel. E como todo bom fumante, aquela tragadinha após a transa. Troca de telefones e o dia seguinte, depois do dia seguinte. E depois, e depois...
Ela apaixonada, ele o realizado.
Pára tudo.
Que porra é essa afinal das contas? Clara desespera-se ao sentir o distanciamento do senhor peitoral tatuado de admiráveis músculos e ele?
Ele estava obviamente à frente do seu personal computer, a pesquisar a próxima vítima.
Clara e suas transas mal fadadas. Outras questões vêm à cabeça. Será que é a sua idade (a falta de experiências)? Será que é a sua massa corpórea (dona de poucas curvas)? Será a sua conversa (franca de mais)? O que será? Afinal das contas a resposta está com eles e não com ela. Ela se consola em dizer batendo no peito: -Ele não era homem pra mim!
Clarinha dentro dessa atmosfera cruel e de discórdia, está fechada pra balanço! Promete nunca mais cair na lábia de malandro algum, mantém-se firme e forte, até conhecer o cara da padaria, e que bela padaria ele tem....

agosto 03, 2006

Uma tarde alucinante parte I

Quando os sinais são claros que o dia vai ser errado, o melhor é não desobedecer às regras! Saia de casa com um crucifixo, capa de chuva, protetor labial e muita reza!
Cachorros por que tê-los? Quando ainda é filhote, é uma gracinha, porém não há como saber sobre sua personalidade quando adulto. Muitas vezes os resquícios de temperamento são identificados na infância. Se peralta o será a vida toda, se bravo, também. Mais como é cria minha, bem, sem comentários, né?
Tarde de ontem, 02/08/06.
Mamãe comemorou esta querida data, tirando a tarde pra descansar da família. O garoto com sua bola no quintal, o avô a brincar e eu não me recordo o que estava fazendo! A gritaria começou lá no quintal. A bola que estava no pé de um dos jogadores foi parar na boca do bicho. O bicho, não a largava. O avô com uma vassoura nas mãos empurrando a bola, sem êxito! Eu, saí pra ver o que estava ocorrendo. Na tentativa de amenizar a situação, tive a brilhante idéia de jogar água no bicho. Novamente, sem êxito! Nisso o bicho estava enraivecido. Com medo de possíveis danos, e uma mordida infundada, resolvi abrir o portão da casa e que o bicho fosse feliz! Só não contava com a tristeza do garoto que saiu em disparada atrás do bicho. O portão aberto, e mais um bicho a solta! Agora eram dois bichos e um garoto a rua e muita gritaria. Eu, olhando a situação, vi, o desaparecer. A correria ganhou as ruas. Saí em disparada. Ao descer a rua e cruzar a esquina à direita, eu notei que ali estava deserto. Até ouvir novamente a gritaria. Bingo! Associação Rio Branco, vulgo Clube Rio branco, melhor dizendo, o bingo do bairro. De certo que a gritaria que vinha do recinto não era a mesma de sempre, com narradores cantando as bolas e seus visitantes a gritarem “bingo”. Fui até a porta e olhei lá dentro. Estavam todos de pé. A atenção era dada aos novos visitantes, um cachorro grande, um preto pequeno e um menino loiro a gritar: -Savana! Savana! Segura meu cachorro!